O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO

 

O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO

A experiência do batismo com o Espírito Santo tem-se feito numa das pedras basilares da doutrina pentecostal, como uma doutrina tanto bibliocêntrica quanto prática e experimental.

1.      A PROMESSA DO BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO

Um dos sinais prenunciados pelos profetas do Antigo Testamento, alusivo ao fim dos tempos para judeus e gentios, trata do derramamento do Espírito Santo em grande profusão sobre a terra.

  1. Nas palavras do profeta Joel

No livro do profeta Joel, capítulo 2, versículos 28 e 29, lemos uma das primeiras promessas referentes ao derramamento do Espírito Santo: “E há de ser que, depois, derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos mancebos terão visões. E também sobre os servos e sobre as servas daqueles dias derramarei o meu Espírito”.

  1. Nas palavras de João Batista

Mais de quinhentos anos haviam-se passado desde que esta promessa do Senhor fora dada através de Joel, quando pelas campinas verdejantes da Judéia, e pelas margens úmidas do Jordão, apareceu João Batista, o precursor do Salvador, anunciando: “E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento: mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu; cujas alparcas não sou digno de levar; ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo” (Mt 3.11).

  1. Nas palavras de Jesus Cristo

Não tardou até que Cristo, na força do Espírito, começasse o seu ministério, no desenvolver do qual, também falou sobre a obra do Espírito Santo, começando com o novo nascimento, seguindo-se o batismo com o mesmo Espírito. Ele próprio disse, quando de sua estada numa festa dos judeus em Jerusalém: “Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios d’água viva correrão do seu ventre”. E acrescenta o apóstolo João que “isto disse ele do Espírito que haviam de receber os que nele cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado” (Jo 7.38,39).

Após ressuscitar dos mortos, noutro lugar, antes de subir para o Pai, diante dos seus discípulos, outra vez disse Jesus: “Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (At 1.5).

  1. Cumprimento da promessa

Após ter dito isto, foi Jesus elevado ao Céu, e, já à mão direita do Pai, cumpre o que prometeu, conforme registra Atos 2.1-13.

Os anos e os séculos vão se escoando e o momento do arrebatamento da Igreja se aproximando, enquanto milhões de pessoas, espalhadas por todos os continentes, têm experimentado a realidade do cumprimento da promessa do batismo com o Espírito Santo.

A experiência do batismo com o Espírito Santo já não é uma exclusividade dos membros das igrejas pentecostais. No decorrer dos anos, é cada vez maior o número de membros de igrejas até então fechadas para esta experiência, que estão recebendo o batismo com o Espírito Santo, acompanhado da experiência de falar em línguas.

Cumpre-se, com certeza, a afirmação de Jesus, segundo a qual “o vento [o Espírito Santo] sopra onde quer…” (Jo 3.8).

  1. A REALIDADE DO BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO

O batismo com o Espírito Santo, como promessa, é algo não apenas para ser desejado e buscado pelo crente. É mais do que isto. Como doutrina bíblica deverá ser corretamente compreendida.

  1. Falsos conceitos sobre o batismo com o Espírito Santo

No decorrer dos anos, muitos conceitos errôneos têm surgido a respeito do batismo com o Espírito Santo. Muitas “boas intenções” têm contribuído para se generalizarem tais conceitos. De um lado estão os antipentecostais a confundirem o batismo com o Espírito Santo com a experiência da conversão, com o novo nascimento. Do outro lado estão algumas correntes renovacionistas e carismáticas falando dum batismo com o Espírito Santo como uma experiência completamente alheia às Escrituras. Enquanto isto, no centro, estão não poucos pentecostais nominais, que já não nutrem nenhum interesse por contribuir no sentido de que outros membros de suas congregações, principalmente os crentes mais novos, tenham a gloriosa experiência do batismo com o Espírito Santo.

  1. O que não é o batismo com o Espírito Santo

O batismo com o Espírito Santo não é a mesma coisa que o novo nascimento. Ambas são experiências de grande importância, mas distintas. Ambas são experiências de grande importância, mas distintas. Jesus primeiramente disse aos seus discípulos: “Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado” (Jo 15. 3). Só depois é que eles tiveram a experiência do batismo com o Espírito Santo.

Os crentes samaritanos (At 8.14-17), bem como os doze discípulos de Éfeso (At 19.6), por certo já possuíam os seus nomes escritos no Livro da Vida, quando receberam o dom do Espírito Santo. O próprio Jesus, não obstante ter sido gerado por obra e graça do Espírito, só aos trinta anos de idade é que foi ungido pelo Espírito Santo e capacitado para o pleno cumprimento da sua missão (Lc 4.17-20).

2.3. O que é o batismo com o Espírito Santo

O batismo com o Espírito Santo é o âmago da experiência de Pentecoste. Desse modo, um verdadeiro pentecostal não é alguém que simplesmente pertence a uma denominação evangélica com esse nome, mas é alguém que foi batizado com o Espírito Santo e continua a transbordar da plenitude de Deus.

O batismo com o Espírito Santo é, dentre outras coisas:

  1. o cumprimento integral e total da promessa do Pai, sobre a qual falou Jesus Cristo em Atos 1.4: “E, certa ocasião, estando comendo com eles, ordenou-lhes: Não vos ausenteis de Jerusalém, mas esperai a promessa do Pai, a qual, disse ele, de mim ouvistes”;
  1. a unção indispensável a todo crente, que, possuidor da natureza divina, tem o dever de testemunhar de Cristo e do seu Evangelho por todos os lugares, até os confins da terra. Assim diz Atos 1.8: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra”;
  1. o fluir das fontes cristalinas da salvação, que emanam da alma do pecador perdoado pela bondade do Senhor. Diz João 7.38,39: “Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isto ele dizia do Espírito que haviam de receber os que nele cressem. O Espírito Santo ainda não fora dado, porque Jesus ainda não havia sido glorificado”.

2.4. Todo crente deve buscar o batismo com o Espírito Santo

Um dos ensinos preferidos pelos antipentecostais é que o crente não deve buscar o batismo com o Espírito Santo, pois, segundo eles, o crente que assim age, está sujeito a receber um espírito demoníaco em lugar do próprio Espírito Santo. Este ensino é não só absurdo como também uma blasfêmia inominável, contra a qual se ergue o próprio Senhor Jesus Cristo, em Lucas 11.11-13: “Qual o pai dentre vós que, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra? Ou se lhe pedir peixe, lhe dará por peixe uma serpente? Ou, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos fossos filhos, quanto mais dará o Pai celestial o Espírito Santo àqueles que pedirem?

O crente não batizado com o Espírito Santo, deve pedir a Jesus, o doador do Espírito Santo, que o batize. Também é bíblico que os crentes já batizados com o Espírito Santo, orarem em favor daqueles que ainda não receberam este batismo, a fim de que eles sejam cheios do Espírito santo. Os apóstolos Pedro e João oraram no sentido de que os crentes samaritanos recebessem o Espírito Santo (At 8.17). O mesmo fez Ananias com Saulo em Damasco (At 9.17). De igual modo, Paulo impôs as mãos sobre os doze discípulos de João que moravam em Éfeso, e, enquanto orava, o Espírito Santo veio sobre eles, de sorte que também falavam e línguas como profetizavam (At 19.6).

Uma vez que o batismo com o Espírito Santo é uma bênção destinada a todos os crentes, todos os crentes devem desejá-la e buscá-la diligentemente.

  1. EVIDÊNCIA FÍSICA DO BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO

Até há alguns anos, era impossível encontrar se quer um pregador pentecostal que contestasse o falar em línguas como evidência física inicial do batismo com o Espírito Santo. Hoje, no entanto, aqui, ali e acolá, de momento, em conversações entre pastores pentecostais, vez por outra é possível a gente encontrar aqueles que tentam explicar a existência doutras evidências do batismo com o Espírito Santo que não o falar em novas línguas.

O Novo Testamento, bem como a História da Igreja, designam o falar em novas línguas como a evidência física inicial do batismo com o Espírito Santo. Como este ensino corroboram vários textos do livro de Atos dos Apóstolos. Veja, pois, nas seguintes condições:

  1. No dia de Pentecoste

Atos 2.4: “Todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem”.

A demonstração comum ou a evidência física inicial de que os quase cento e vinte discípulos de Jerusalém, foram cheios do Espírito Santo no dia de Pentecoste, foi que todos eles falaram em outras línguas. Foram línguas que eles não haviam aprendido, faladas, portanto, pela operação sobrenatural do Espírito Santo.

  1. Entre os samaritanos

Atos 8.14-17: “Ouvindo os apóstolos que estavam em Jerusalém que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João. Quando chegaram, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo, porque sobre nenhum deles tinha ainda descido, mas somente eram batizados em nome do Senhor Jesus. Então lhes impuseram as mãos e receberam o Espírito Santo”.

Ainda que o texto bíblico não mostre explicitamente que os samaritanos hajam falado em novas línguas como evidência do batismo com o Espírito, vários estudiosos das escrituras são da opinião que isto tenha ocorrido. Se não tivesse havido a manifestação das línguas, de que modo os apóstolos teriam notado a diferença entre eles antes e depois da oração com a imposição de mãos? E mais, por quê razão Simão iria oferecer dinheiro aos apóstolos em troca de poder de provocar aqueles fenômenos, se ele não os tivesse visto e ouvido?

  1. Sobre Saulo em Damasco

Atos 9.17,18: “Então Ananias foi, entrou na casa e, impondo-lhe as mãos, disse: Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que te apareceu no caminho por onde vinhas, me enviou, para que tornes a ver, e sejas cheio do Espírito Santo. Imediatamente lhe caíram dos olhos como que umas escamas, e recuperou a vista. Levantando-se, foi batizado”.

Também, no caso de Saulo, o texto bíblico também não diz claramente que ele tenha falado em outras línguas, mas diz que ele foi cheio do Espírito Santo. Porém, uma vez que Paulo diz falar mais línguas (= glossolália) que os coríntios (1 Co 14.18), a opinião mais comum entre os comentaristas das Escrituras é que ele tenha falado em novas línguas, quando foi cheio do Espírito Santo.

  1. Na casa de Cornélio

Atos 10.44-46: “Dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que o ouviam. Os fiéis que eram da circuncisão, que tinham vindo com Pedro, maravilharam-se de que o dom do Espírito Santo se derramasse também sobre os gentios. Pois os ouviam falar em línguas, e engrandecer a Deus…”.

Foi a ênfase dada pelo apóstolo Pedro e seus companheiros ao fato de que os gentios em Cesaréia haviam recebido o dom do Espírito Santo da mesma forma como os quase cento e vinte no dia de Pentecoste, que apaziguou o ânimo dos apóstolos em Jerusalém, de sorte que disseram: “Na verdade até aos gentios deu Deus o arrependimento para a vida” (At 11.18).

  1. Sobre os discípulos em Éfeso

Atos 19.6: “Impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo, e falaram em línguas, e profetizavam”.

Cerca de vinte anos após o dia de Pentecoste, o batismo com o Espírito Santo ainda era acompanhado da evidência de falar em línguas estranhas. Esta evidência satisfazia não só a um dos requisitos da doutrina apostólica, quanto à manifestação do Espírito Santo, como também cumpria fielmente as palavras de Jesus: “Estes sinais seguirão aos que crêem: … falarão novas línguas” (Mc 16.17).

O falar em novas línguas é aceito como evidência física inicial do batismo com o Espírito Santo, pelo menos por três razões:

  1. Porque, como já mostramos, acha-se amparada como experiência na maioria dos casos de pessoas batizadas com o Espírito Santo, no Novo Testamento.
  1. Porque anula por completo a dúvida comumente existente na mente da pessoa que crê haver sido batizada com o Espírito Santo, sem experiência de falar em outras línguas.
  1. Porque satisfaz perfeitamente a uma exigência histórica. Crisóstomo, um dos grandes mestres da Igreja primitiva, afirmou muitos anos após os dias do apóstolo Paulo: “Quem quer que fosse batizado nos dias dos apóstolos, logo falava em línguas: recebiam eles o Espírito Santo”.
  1. PROPÓSITOS DO BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO

Já dissemos que o batismo com o Espírito Santo é uma experiência destinada a todos os crentes, independentemente do tempo e da denominação à qual estejam afiliados. Mas, quais os reis propósitos do batismo com o Espírito Santo? Dentre esses, atentemos para os seguintes:

  1. Viver abundantemente para Deus

João 7.38,39: “Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isto ele dizia do Espírito que haviam de receber os que nele cressem. O Espírito Santo ainda não fora dado, porque Jesus ainda não havia sido glorificado”.

Deste o momento do novo nascimento até à morte ou à glorificação, a vida do cristão deverá estar inteiramente identificada com o progresso espiritual, marcado pela submissão e comunhão com Deus. Evidentemente isto só será possível para aquele que está cheio e a transbordar do Espírito Santo (Ef 5.18).

  1. Identificar a vida do crente com Cristo

Lucas 4.18,19: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me uniu para evangelizar aos pobres. Enviou-me para apregoar liberdade aos cativos, dar vista aos cegos, pôr em liberdade os oprimidos, e anunciar o ano aceitável do Senhor”.

Disse A. B. Simpson, fundador da Aliança Bíblica Missionária, dizendo: “Primeiro, o Senhor nasceu pelo Espírito, e posteriormente iniciou seu ministério no poder do Espírito Santo. Espero que assim como ‘o que santifica, como os que são santificados, são todos um’, de igual maneira nós devemos seguir seus passos e imitar sua vida. Nascidos no Espírito nós também devemos ser batizados com o Espírito Santo, e logo viver a vida de Cristo e repetir sua obra”.

4.3. Poder para testemunhar

Atos 1.8: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra”.

A experiência da salvação do homem começa no Calvário enquanto que o seu serviço começa no Pentecoste; ou seja, com a experiência do batismo com o Espírito Santo.

A finalidade deste batismo está prescrito na própria promessa de concessão: capacitar o crente para o trabalho divino. O crente, pois, corre um sério risco, uma vez batizado com o Espírito Santo, se não assumir uma vida de compromisso com o testemunho cristão. Paulo tinha o dever de testemunhar de Jesus em tão elevada conta, que chegou a dizer: “… ai de mim, se não anunciar o evangelho!” (1 Co 9.16).

A experiência do batismo com o Espírito Santo, apesar de ajudar-nos a viver abundantemente para Deus, se identificar-nos com Cristo, e de comunicar-nos poder para testemunhar do Evangelho, não se constitui numa espécie de apólice de seguro em caso de naufrágio espiritual. Não!

Mas que qualquer outro, o crente batizado com o Espírito Santo, tem o sagrado dever de permanecer humildemente na presença do Senhor, estudando a sua Bíblia, orando, e primando por viver vida santa diante de Deus e dos homens.

O batismo com o Espírito Santo não comunica privilégios, comunica, sim, responsabilidade, sobretudo.

Pr. RAIMUNDO DE OLIVEIRA

ray.oliveira@mnnet.com.br

Sobre Nilson MAC Ribeiro

Eu amo Jesus! Eu e minha casa serviremos ao Senhor!

Publicado em dezembro 2, 2008, em Estudos do MAC e marcado como , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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